segunda-feira, outubro 24, 2005
Homenagem a Darcy no Rio de Janeiro
E o Mapi, através de sua vice-presidente, Zezé, ex-assessora de Darcy Ribeiro, lembrará a data com uma série de eventos que começa às 16 horas, como acontece tradicionalmente toda quarta-feira, com palestra do presidente do Clube Militar, General Gonzaga Lessa, sobre ‘Amazônia e Soberania Nacional’, seguida de debate. A palestra será no térreo da sede nacional da Fundação Alberto Pasqualini, na rua do Teatro 39, na Praça Tiradentes.
As celebrações prosseguem às 19 horas, já na sede da Fundação Darcy Ribeiro, em Santa Teresa, com a realização de coquetel seguido da apresentação de grupo vocal e, ainda, o lançamento do quarto volume da série “Fazimentos” da Fundação, este dedicado ao Darcy Ribeiro Antropólogo. Também será divulgada mais uma edição do tablóide mensal “Confronto”, também publicado pela Fundação Darcy Ribeiro.
Na semana passada, dentro do Festival de Cinema do Rio de Janeiro, Edson de Souza, ex-auxiliar de Darcy Ribeiro, lançou o documentário “Darcy Pensador do Brasil”, que foi um dos mais aplaudidos da mostra. O filme de Edson contém entrevista inédita do criador do Programa Especial de Educação do Governo Brizola – que brevemente será exibido no auditório da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini, na rua do Teatro 39.
sábado, outubro 01, 2005
Lembranças
Darcy Brasileiro Ribeiro
"Creio no sonho. Creio no trabalho. Sonhei com paixão e ousadia as utopias maiores que podia sonhar e não me arrependo. Utopias impensáveis para os incrédulos. Utopias impossíveis para os pobres de coração"
Darcy Ribeiro
Lia Faria - Cada encontro mergulhado num contexto social, histórico e relacional é na verdade único, face às singularidades dos seres humanos, pensantes e desejantes. Portanto cada um deles se revela na verdade como reencontro, fortalecendo nossa humanidade.
Meu encontro com o professor Darcy Ribeiro não se aprisiona nas óticas meramente ideológicas ou racionais, pois na verdade foi de uma natureza que escapa às interpretações mais ligeiras ou mesmo aquelas que se pretendem científicas ou teóricas. Vivíamos um tempo e uma ordem que conjugava várias faces: o momento histórico especial do país e de minha geração silenciada; o retorno de Darcy à causa da educação brasileira; a esperança de construção/desconstrução, entre os traços arquitetônicos geniais de Niemeyer, do que havia sobrevivido dos nossos sonhos durante a ditadura; a utopia de invenção de uma nova escola pública...
Confluente de tantos avatares foi um encontro mágico. Ocorreu no Encontro de Mendes (RJ) em 1983, culminância do processo em que o professorado do antigo primeiro grau havia sido convidado, pelo movimento Escola Viva – Viva a Escola, a discutir sua prática pedagógica, pelo governo democrático que se instalava no Rio de Janeiro (após a vitória do PDT, com Leonel de Moura Brizola).
Assim, participo em Mendes, como representante do magistério da região serrana do estado, contribuindo para a aprovação e definição das metas do 1º Programa Especial de Educação (PEE).
Em relação aos Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs) aprovamos a 11ª meta que se referia então à construção e implementação das escolas de horário integral, inspiradas na idéia da Escola Parque (BA), de Anísio Teixeira. E lá estava como sempre vibrando, Darcy Ribeiro.
Naquela oportunidade eu, como muitos outros professores, o conhecemos pessoalmente, assinalando um verdadeiro reencontro com a própria história brasileira. Para nós, a maioria ainda muito jovens, desprovidos dos nossos direitos políticos e civis, sem nunca ter votado para presidente, estávamos perante um grande mito, afinal tinha sido o último Ministro da Educação antes do golpe militar em 1964.
Logo, a partir daquele encontro poético (em sua origem grega: criar, inventar, gerar) a presença do professor Darcy Ribeiro foi marcante em incontáveis momentos de minha trajetória profissional e política: nos CIEPs, no 1º e 2º PEE, no livro A Utopia Possível, como membro da Internacional Socialista de Professores (UIPS), e, participando das bancas de minha dissertação de mestrado e tese de doutorado.
Darcy Ribeiro se tornou nos anos 80-90, para aqueles que o admiravam e também certamente para aqueles que o odiavam, presença geradora incansável, já que como ele mesmo dizia era um homem do fazimento.
Sonhos, invenções, utopias, em tudo a paixão pela vida...
Uma pessoa como ele se multiplica infinitamente em idéias e sonhos: o que o ser humano quer no fundo é amar; só há duas opções nessa vida, se resignar ou se indignar. Eu não vou me resignar nunca. A luta de Darcy pelo Brasil foi a sua mais eficaz estratégia de vencer a morte e continuar vivo.
Desta forma, Darcy Ribeiro não foi um homem de uma única causa, lutou pelos índios, pela educação, pela universidade pública (UNB e UENF), pelos CIEPs, como ministro, vice-governador, secretário de estado, e por último senador, foi de todos os lugares e de todos os recantos deste país.
Ainda como escritor, antropólogo, político e poeta nos deixou dois recados diretos,
Eu quero ficar vivo na carcunda de vocês com as minhas idéias. Sejam mais brasileiros...
Darcy Brasileiro Ribeiro somos todos nós, já é hora de retomar essa caminhada utópica, nos inspirando em algumas de suas obras. Façamos assim, uma homenagem no próximo dia 26 de outubro, data do seu aniversário.
Parabéns Darcy Ribeiro, acreditamos como você, que no dia em que o Brasil se livrar de sua herança de brutalidade, aí vamos criar a civilização mais bonita da terra.