quinta-feira, junho 17, 2010

Brizola Neto

Resultados para: socialismo moreno
Os 30 anos do PDT
quinta-feira, maio 27th, 2010 at 0:02

Talvez não haja nada que nos leve tanto à reflexão quanto um dia cansativo de trabalho e luta. Aqui em Brasília, onde a gente se sente mais só, isso é ainda mais forte. Por isso, para registrar o 30° aniversário do PDT, fui buscar algo que me liga ao passado, me liga exatamente ao tempo em que nasci. Para outros, talvez ligue ao tempo em que eram jovens como eu – vou me permitir isso, apesar da dor nas costas, tá?
E uma tolice acharem que nós, jovens, não nos ligamos ao passado. Não. É a única maneira de permanecermos jovens, de permanecermos abertos às novas ideias, de permanecermos vivos.
O problema é que não podemos viver só dele.
Eu sou neto de Leonel Brizola, ótimo. É uma honra, mas é também um julgamento pessoal e familiar como todos nós fazemos em relação as pessoas queridas que marcaram nossas vidas. Foi um avô presente, o quanto pôde; carinhoso, o quanto sabia ser, e rígido, o quanto julgava justo ser.
Mas o que devo a ele não é apenas honrar sua memória. E muito menos é isso o que me prende ao meu povo, ao meu país e à minha geração.
O que me une mais profundamente a ele é o desejo de agir para transformar a realidade.
Por isso, o que trago aqui para lembrar os 30 anos do PDT é algo que aconteceu um ano antes, quando antigos remanescentes do trabalhismo se juntaram a jovens (entre eles, Dilma Rousssef) que combateram, com o risco das próprias vidas, a ditadura militar, se reuniram para retomar um nome, uma sigla – que afinal perderam num golpe judicial – mas, acima de tudo retormar um sonho de um país justo, democrático e que caminhasse para um socialismo ao nosso jeito: tropical, moreno, libertário.
Aos que partilharam este desejo e que, por isso, nunca se foram, porque permanecem em nossas lutas presentes, a melhor homenagem, que é lembrar o que fizeram.
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Liberdade sempre; Igualdade, agora e amanhã!
quinta-feira, maio 13th, 2010 at 13:58

Hoje é um dia muito especial. Nem tanto pelo ato da abolição da escravatura, esta vergonha da qual o Brasil foi um dos últimos países a se livrar, porque o sistema econômico já não podia conviver com ela, quando a princesa Isabel assinou a Lei Aurea. Até porque os negros, livres de direito, continuaram escravos da pobreza e do abandono, restritos à periferia da vida social.
Mas é especial porque lembra a todos nós que a abolição da escravatura , de fato, é o ato de reconhecermos que somos todos iguais. Um ato que não se conclui, que permanece em nossas atitudes a cada dia e que, sobretudo, se expressa em políticas que permitam, progressivamente, acabar com o imenso fosso social que vinha eternizando a exclusão de nossos irmãos negros num apartheid cultural, educacional e cidadão.
Ainda o vivemos, e às vezes de forma dramática como a escravidão de há 122 anos. É o que mostra a matéria da Folha de hoje, onde o economista Marcelo Paixão, da UFRJ, mostra que de cada quatro trabalhadores brasileiros libertados de situação análoga à escravidão, três são negros ou pardos. E não são poucos: são 73% dos 38.572 brasileiros libertados desta vergonha.
O trabalhismo tem orgulho de ter sido o primeiro partido a levantar a causa negra, tem o orgulho de ter sido um dos que criminalizou o racismo, com a Lei Caó, do jornalista Carlos Alberto de Oliveira dos Santos, nosso parlamentar. De termos entre nós um líder histórico do povo negro, Abdias doNascimento. De criarmos o termo “socialismo moreno”, para significar que igualdade, no Brasil, passa necessariamente pela igualdade racial.
Nenhum orgulho, porém, nos deixa mais felizes que ver os nossos irmãos ascendendo. Vivendo melhor, comendo melhor, tendo acesso aos bens a que todas as pessoas têm direito, educando melhor os seus filhos e, finalmente, podendo ingressar no ensino superior com a política de cotas que, apesar de toda a oposiçao da elite, não vai ser revertida.
A mesma Folha, no caderno de economia publica o gráfico que reproduzo aí ao lado. A renda dos brasileiros negros subiu 222% nos últimos oito anos. Seus padrões de consumo subiram. Ainda assim ,você pode reparar, o acesso das famílais negras a bens como fogões, máquina de lavar, computador, freezer e outros ainda é inferior ao que era o das famílias brancas oito anos antes. Em outros, como televisão, geladeira, telefone, são ligeiramente maiores do que o índice de 2001, mas ainda bem abaixo do que estas têm em 2007.
A discriminação racial e social, porém, prossegue. No jornal, Marcus Vinícius, estudante universitário, exemplifica com uma concessionária de automóvel: “acho que somos vistos como os integrantes da periferia, que não tem renda nem condição de comprar”.
Vamos continuar brigando para que não seja mais assim, para que o Brasil dê a todos os seus filhos, de todas as partes e de todas as cores, a idéia de que somos uma só coisa: brasileiros.
Que a liberdade e a igualdade, agora e para sempre, abram as asas sobre nós.
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Lula e o “socialismo moreno”
terça-feira, março 16th, 2010 at 15:26

Ao ler hoje, no Valor Econômico, um trecho do discurso do presidente Lula e empresários em Israel, lembrei de como Leonel Brizola falava do “socialismo moreno”, algo que na época, os intelectuais – muitos do PT – ridicularizavam. Mas, vejam: não é da essência da democracia que o povo, na sua cor da pele, no seu jeito, em todas as esferas de poder e representação? Lula demonstrou ter absorvido este conceito ao afirmar:
“Possivelmente por causa de minha origem eu não conseguia perceber por que um metalúrgico de São Paulo iria brigar com um índio boliviano, e o índio está provando ser capaz de governar a Bolívia”, elogiou. “Os índios descobriram que têm de votar nos índios, que é a coisa mais normal. Anormalidade era um presidente louro de olhos azuis que quase nem falava espanhol governar a Bolívia”
Lula disse isso, segundo o jornal diante de ” uma silenciosa plateia de empresários, muitos de cabelos e olhos claros, em um país onde uma das questões mais sensíveis é a reivindicação de maior poder por parte dos palestinos e árabes de pele morena”.
Aliás, na mesma fala, Lula disse algo que deveria ser um bom conselho para os líderes do Rio de Janeiro nesta questão dos royalties. Ele contou que, depois de eleger-se presidente boliviano, com a simpatia de Lula, “o primeiro discurso do Evo Morales foi tomar a Petrobras”. O Brasil, disse, reconheceu o direito da Bolívia ao gás e “cedeu no que tinha de ceder”. Aí está uma boa orientação para essa batalha do Rio de Janeiro. Se defendermos o que é justo, e só assim, teremos força para evitar o que é injusto.
Consegui o áudio do discurso, que publico aí em cima.